domingo, 18 de setembro de 2016

A máscara do fascismo



Abre-se o pano vermelho da vida
e o poder sorri entre cruzes de pedra.

O Monte do Castro não é nada
sem a sua grisácea verdade, IN MEMORIAM
Não, não é a Cruz do Castro, é a morte.

Aparece logo a imagem dum barco
e pensamos na Gente do Mar
nos que morreram, nos que morrem
e nos que morrerão.
Não, não é um barco numa rotunda
é a máscara, a careta autoritarista,
a soberbia, o egoísmo...
A Torre de Babel querendo tocar o céu.

E o Farão, onde está o farão?!
Fim do primeiro ato,
a obra magistral deve continuar

Hora pro nobis
entre rios de injustiça!.

rosanegra

grisácea(es), agrisada (gal), grisalho(pt)
autoritarista(invent),autoritária(pt)




sábado, 2 de maio de 2015

Arte


As cores da vida, nos lenços refletidas
com paisagens reais e a viveza soalheira
característica da água, da terra, do ar...
entre as asas da mente, brilhantes estrelas
que adormecem na base e ressaltam
impetuosas, pelas veredas do pincel
rebuscamos, procurando sensações
nos quadros inspirados
nas imagens cheiradas
que abrangem as pupilas
e topamos, grandes pedaços prolongados
dumas mãos que fazem formas pictóricas
num mundo de plásticas que se criam
a si próprias...
sonhamos, na alvorada dum amanhecer
enquadrado pela essência dum criador
e dum sentimento que estoura
para em Arte nascer.   

Poema publicado no livro Silêncio da Gaveta

sábado, 18 de abril de 2015

Medram fieitos no meu coração


e sabem a cor dourada e seca
murcham as minhas mãos
sem tocar a tua pele,
sim, a tua pele é um plano
a percorrer, é um desejo
é a prolongação do meu
instinto fero.


Nascem funchos e fentos
no meu coração
evocando os teus lábios
estimulando-me com a droga
que emana da matéria gris.


Sim, a tua pele também é sinónimo
de prazer...

Poema próprio publicado no livro Silêncio da Gaveta.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Na anoitecida,


Estouro em 300.000 partículas que sabem a açúcar
e atravesso a tua pupila num orgasmo redondo, circular e branco...

Acovilho o teu tesouro com a ansiedade dum prazer infinito e mudo
que me enche com a plenitude da lua cheia
e como com voracidade duma fome que feroz te engole
como um pão, vivo e gigante...

Beijo os astros do teus olhos e mordo o falo
que nos sustém na boca do tempo
Tomamo-nos, perdidos nos nossos fluidos
e rompemos pedaços dos hemisférios
que criamos para sonhar.
Sentimo-nos, cada músculo é um som
uma tecla
que tocamos na paixão desmesurada
devorando-nos e morrendo
para renascer como animais posuídos
pelo celo...

(O coito é a essência que nos unifica)


Para a INSUA que inspira estes versos...


Poema publicado em Elipse número 5 de Círculo Edições

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Poema inacabado,


no comboio da noite viajo

sem saber cara a onde vai,
os pensamentos voam nos carris e no som
dum trem que sabe a nostalgia.
O ferro carril do passado ainda viaja por terras
desconhecidas e senlheiras
com uma cor que sabe a fume,
é o ar envolvente da realidade
que o sustém na geometria.

No comboio, viajo
e não viajo...
as horas solidificam-se
como magma seco
e expressam silêncio e tempo
num canto estranho e esquisito
o canto do pôr-do-sol no vigésimo estrondo

É no comboio da noite e sem estrelas
onde ouço a voz da lua
no trigésimo nono ano de luz
que me abrange com a amplitude dum sorriso.

No comboio viajo, talvez, não viajo.

Publicado na revista Elipse número 4 de Círculo Edições

sábado, 2 de agosto de 2014

Do diário íntimo de Parker & Barrow (III)

Ruído de fundo, distorções gaussianas
fora vai frio mas não chove.
Meu amor!
Mas as rulas cantarão
um blues de reanimação, um
RCP no novo ano
Para que podas levar as tuas esperanças
em cadeiras de rodas
vestidas com pele de guepardo
nas noites infindas
e sinalaremos num mundo
cheio de borboletas azuis
porque o azul precede-nos
o planeta disque é azul
se calhar como o sangue de aristocratas doutro tempo.
Full de reis e ases,
de abondo para continuar no jogo,
no jogo dos beijos
e de fluidos sexuais.
Perdemos toxinas suficientes
Para continuar lutando
enquanto uma cacatua
chisca um olho através duma janela
e sorri.

Poema de Alexandre Insua e rosanegra.
Publicado na revista Elipse nº3 de Círculo Edições.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Do diário íntimo de Parker & Barrow

Rematou o temporal
e abriu o céu para
mostrar nuvens brancas.
As raiolas lambem eroticamente
as montanhas
e uma bandada de pegas furiosas
assalta um banco.
Decidem fuzila-las por rebeldes,
mas não podem.
Desobediência civil.

Beija-me, meu amor, nesta tarde solhada
um blues substitui os cantos de reis
e a impunidade fica freada.
Ainda podemos sentir asas nos pés
mentres posamos para fotografias da ficha policial.
a vingança também nos corresponde
em nós reside a soberania.

Temos o direito a sermos ressarcidos:
a beber em cuncas douradas
e provar o mel portuário
como barcos que sonham
com navegar até o sol-pôr,
e deixarem-se cair pela beira do mundo,
longe de monstros marinhos,
onde Jules Verne escreve versos passados
e futuros, dentro dum foguete
e, com as beições do capitão Nemo,
ir além da lua.


rosanegra e Alexandre Insua (Impostura de fumador)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

A RODA IMORREDOIRA

foto de Carlos Silva em munditações


A imagem geométrica, forma uma circunferência
da cor do vinho com arrecendo a traça
É um passado-presente com um sentido que xorde
num isolamento silandeiro na voz do ar
Na madeira errante, escreveu-se a historia
da noite e do amanhecer, com letras perenes
nas árvores genealógicas
Pousada na pedra ainda resoa o som do carro
entre os caminhos, aquelas sendas da nenez
já perdidas no antonte
E roda na memória um filme antigo
cor sépia, e chove um mar com doze invernos
num zigzag temporal
A foto escacha em 100.000 partículas
redondas, figuras dum fotograma
que se nega a desaparecer...

Publicado na revista Elipse nº2 de Círculo Edições

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sabes ao mel suave dos himenópteros...

Inspiras doces alouminhos na sede dum luscofusco de verão
és um leão
e um pardal, que vai aninhando mansamente
na minha zona ventricular

Olho-te coa ilusão duma nena
com traje novo num dia de festa
e faz-me tremer na concavidade mais íntima
da minha tangente

Sabes o mel doce duma noite de lazer
na que as horas medravam co desejo
e paravam estáticas num universo paralelo


As tuas mão coma espirais
amassavam as minhas fibras
para sentir o prazer de pele com pele
e as palavras sobram...

existem mais sobram...


(E as noites são infindas e mágicas meu amante)
chucho os teus beiços
de veludo e sonho contos formosos
onde a eternidade tem o teu nome...


Para Alexandre, a estrela que ilumina o meu coração.


Poema publicado em Elipse nº1 de Círculo Edições

sábado, 24 de agosto de 2013

Minha Galiza,

eu quero ver-te florescer...

Numa República Nova
numa Liberdade Merecida
com uma olhada que circunda tua totalidade
num berro ceive
numa independência
idiomática e social
não só de horas
e que conflua num desejo
de Sermos Nós mesmos
sem depender de centralismos que nos engulam.

Galiza Republicana
os tempos serão chegados
e deitada frente ao mar
renascerás livre sob a bandeira da estrela
que te acobilhará ...

Minha GALIZA florescida!

Poema recitado na Festa da República Galega em Ordes 2013.

domingo, 14 de julho de 2013

Minas-me

Veleno dourado...

Mineral que aniquilas vontades
en toneladas de ignorancia,
sotérrannos na morte

Contaminante inorgánico que circulas no sangue
auga de cianuro, manchas

Bosques comidos, devorados
aire tóxico, danos sociais

(A drenaxe ácida permanece por sempre na pel
unha tatuaxe que nos castiga)

A mina mastiga H2O insaciábel
e as palabras saen das gorxas e berran rotas

As repercusións son incalculábeis... in-calculábeis...

quinta-feira, 23 de maio de 2013

MEIS É POESÍA



Na memoria do tempo brincan lendas bulideiras
de mouras e bruxas saíndo das pedras
e do río da Pontexoán,
entre carballos e castiñeiros sorrí un mundo máxico
enchoupado de séculos e os fentos cantan
coa música silandeira do pasado
na que os muíños falaban e o millo brillaba baixo o sol.
Armenteira soña coa súa historia de rezos e cantos
de paxariños, e sinte que medra no ar inmenso
e na noite estrelecida
As sendas rebuldeiras falan da realidade
que abrangue un microuniverso enfeitizado
e as horas son diferentes entre as árbores
a vida para, e eternízase cun manto verde
entre vales…  miña terra!
As raíces saen dunha Valboa perpetua
entre camiños senlleiros, onde o ADN dunha meisiña
forma espirais retratadas no bodegón da natureza.

rosanegra

domingo, 5 de maio de 2013

ODA AO MONTE PINDO


I

Suco nun soño, ao gran xigante con corazón de pedra

As murallas e os castelos trazan historias
dun mundo desaparecido, iluminado por lendas
Vexo, nun voo de aguia a solleira montaña
o gran coloso ergueito e forte que agarda espertar
dende o ollo do tempo como ciclope pétreo
un titán xeolóxico e inmortal
un monumental Monte Sacro
que nace como Olimpo Celta
na nosa Gallaecia máxica, terra de mouras
e poderes ocultados na Casa da Xoana
na catedral das meigas aínda o diaño espreita
e co puño pechado sobre o océano marca
labirínticas secuencias gravadas nos restos arqueolóxicos
do misterio que sobrevoa cabezas...

É o genius loci
procul dubio!


II

Aínda subsiste un son eterno nas moléculas
persiste a esencia temporal e pódese escoitar
o balbordo das bruxas na súa reunión céltica

O vento vive na Gallazia!

Nun aire de sono rompe o día e os raios pintan
con matices verdes e amarelos ás rochas grises
e o marrón da terra escribe versos nas follas perennes
dáme o corpo que soña co seu pasado emblemático
subsiste si, aínda resiste...

terça-feira, 19 de março de 2013

POEMA EM MÃO COMUM



Jake Lamotta segue em pé
tensionam-se os músculos para resistir os golpes
semelham afazer-se às fendas intensas, mais
os pés molhados roçam a friúra e tremem
num calçado grande e comprido
que aperta nas noites violáceas de nuvens
cúmulos em olhadas de porcelana perdidas
em futuros rostros desconhecidos
as pegadas do tempo marcam-se fundamente
datas rajadas acobilham-se nos ombros cansos
portanto suster nas pias afastadas
portanto olhar vias formadas de sonhos
caminhos-de-ferro que percorre
um comboio misto de ouro e púrpura
os caminhos-de-ferro percorrem-me as costas
o poema é encaixe de chumbo...que levita
como um santo feito de plumas
não, não acredito na humanidade
cansa de pugilatos infinitos
ergo-me do chão mais unha vez
Sou coma unha raiz que procura sair do suco
expandir-se cara a luz...nascer da terra!
só ela nos sustenta no universo
a terra e luz criam vida complexa
de respiração anaeróbica...

Fragmento do poema (POEMA EM MÃO COMUM) dos autores: Alexandre Insua, Cruz Martinez e rosanegra. Publicado no libro (DOCES LOUCURAS-Louvor aos sorrisos).

sábado, 9 de março de 2013

Chámana Puta


porque vende o seu corpo ao por menor
os seus ollos están cravados de medo
nas órbitas craniais
cada vez que ve o seu chulo
e vén do Leste ou dos Balcáns
que máis ten de onde
enganada por un horizonte verde
un día mellor na súa vida
E chámaa Puta
o seu proxeneta sorrí cos dentes
brancos e longos, amasando cartos
e premendo a tecla feble que domina
E chámaa Puta
o seu cliente tamén sorrí
diante dunha muller submisa
que xa o perdeu todo,e goza
goza o prostituidor sen conciencia
chámana Puta e soamente é unha vítima
de todos eses cabróns...
xa non ten nome,é carne fresca
e chámana...PUTA

Publicado no libro "MULHERES entre poesia e luita"