sábado, 2 de maio de 2015

Arte


As cores da vida, nos lenços refletidas
com paisagens reais e a viveza soalheira
característica da água, da terra, do ar...
entre as asas da mente, brilhantes estrelas
que adormecem na base e ressaltam
impetuosas, pelas veredas do pincel
rebuscamos, procurando sensações
nos quadros inspirados
nas imagens cheiradas
que abrangem as pupilas
e topamos, grandes pedaços prolongados
dumas mãos que fazem formas pictóricas
num mundo de plásticas que se criam
a si próprias...
sonhamos, na alvorada dum amanhecer
enquadrado pela essência dum criador
e dum sentimento que estoura
para em Arte nascer.   

Poema publicado no livro Silêncio da Gaveta

sábado, 18 de abril de 2015

Medram fieitos no meu coração


e sabem a cor dourada e seca
murcham as minhas mãos
sem tocar a tua pele,
sim, a tua pele é um plano
a percorrer, é um desejo
é a prolongação do meu
instinto fero.


Nascem funchos e fentos
no meu coração
evocando os teus lábios
estimulando-me com a droga
que emana da matéria gris.


Sim, a tua pele também é sinónimo
de prazer...

Poema próprio publicado no livro Silêncio da Gaveta.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Na anoitecida,


Estouro em 300.000 partículas que sabem a açúcar
e atravesso a tua pupila num orgasmo redondo, circular e branco...

Acovilho o teu tesouro com a ansiedade dum prazer infinito e mudo
que me enche com a plenitude da lua cheia
e como com voracidade duma fome que feroz te engole
como um pão, vivo e gigante...

Beijo os astros do teus olhos e mordo o falo
que nos sustém na boca do tempo
Tomamo-nos, perdidos nos nossos fluidos
e rompemos pedaços dos hemisférios
que criamos para sonhar.
Sentimo-nos, cada músculo é um som
uma tecla
que tocamos na paixão desmesurada
devorando-nos e morrendo
para renascer como animais posuídos
pelo celo...

(O coito é a essência que nos unifica)


Para a INSUA que inspira estes versos...


Poema publicado em Elipse número 5 de Círculo Edições

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Poema inacabado,


no comboio da noite viajo

sem saber cara a onde vai,
os pensamentos voam nos carris e no som
dum trem que sabe a nostalgia.
O ferro carril do passado ainda viaja por terras
desconhecidas e senlheiras
com uma cor que sabe a fume,
é o ar envolvente da realidade
que o sustém na geometria.

No comboio, viajo
e não viajo...
as horas solidificam-se
como magma seco
e expressam silêncio e tempo
num canto estranho e esquisito
o canto do pôr-do-sol no vigésimo estrondo

É no comboio da noite e sem estrelas
onde ouço a voz da lua
no trigésimo nono ano de luz
que me abrange com a amplitude dum sorriso.

No comboio viajo, talvez, não viajo.

Publicado na revista Elipse número 4 de Círculo Edições

sábado, 2 de agosto de 2014

Do diário íntimo de Parker & Barrow (III)

Ruído de fundo, distorções gaussianas
fora vai frio mas não chove.
Meu amor!
Mas as rulas cantarão
um blues de reanimação, um
RCP no novo ano
Para que podas levar as tuas esperanças
em cadeiras de rodas
vestidas com pele de guepardo
nas noites infindas
e sinalaremos num mundo
cheio de borboletas azuis
porque o azul precede-nos
o planeta disque é azul
se calhar como o sangue de aristocratas doutro tempo.
Full de reis e ases,
de abondo para continuar no jogo,
no jogo dos beijos
e de fluidos sexuais.
Perdemos toxinas suficientes
Para continuar lutando
enquanto uma cacatua
chisca um olho através duma janela
e sorri.

Poema de Alexandre Insua e rosanegra.
Publicado na revista Elipse nº3 de Círculo Edições.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Do diário íntimo de Parker & Barrow

Rematou o temporal
e abriu o céu para
mostrar nuvens brancas.
As raiolas lambem eroticamente
as montanhas
e uma bandada de pegas furiosas
assalta um banco.
Decidem fuzila-las por rebeldes,
mas não podem.
Desobediência civil.

Beija-me, meu amor, nesta tarde solhada
um blues substitui os cantos de reis
e a impunidade fica freada.
Ainda podemos sentir asas nos pés
mentres posamos para fotografias da ficha policial.
a vingança também nos corresponde
em nós reside a soberania.

Temos o direito a sermos ressarcidos:
a beber em cuncas douradas
e provar o mel portuário
como barcos que sonham
com navegar até o sol-pôr,
e deixarem-se cair pela beira do mundo,
longe de monstros marinhos,
onde Jules Verne escreve versos passados
e futuros, dentro dum foguete
e, com as beições do capitão Nemo,
ir além da lua.


rosanegra e Alexandre Insua (Impostura de fumador)